Saúde e alterações comportamentais de animais de equoterapia

  • Cely Marini Melo e Oña UFMT
  • Luis Carlos Oña Magalhães Universidade Federal do Mato Grosso
  • Lisiane Pereira de Jesus Universidade Federal do Mato Grosso
  • Juliana Caobianco Instituição Fasipe Cuiabá
  • Janaina Lúcia Rodrigues
  • Antonio Raphael Teixeira Neto Fórum de Dirigentes de Hospitais Veterinários das Instituições Federais do Ensino Superior
Palavras-chave: equoterapia, sanidade, equino

Resumo

O bem-estar dos animais tornou-se uma grande preocupação social e identificar os fatores que o afetam é de suma importância. Sendo assim, o presente estudo teve por objetivo avaliar os aspectos de manejo, sanidade e comportamentais de animais de equoterapia. Para tanto foi elaborado um questionário e distribuído para diferentes centros de equoterapia no Brasil (n=127), filiados à instituição regulamentadora da atividade, a ANDE-BRASIL, dos quais 27 foram respondidos. Dentre os aspectos abordados foi considerado a incidência de doenças, assistência veterinária, controle sanitário (vermifugação e vacinação), controle de entrada dos animais, incidência de cólica e aspectos comportamentais. Com isso verificou-se baixa incidência de doenças visto que 14,28% adoeceram uma vez por trimestre. Em 40,74% dos centros de equoterapia o médico veterinário realizava visitas mensais, refletindo em baixa casuística de doenças (14,81%). Notou-se um controle sanitário eficiente, visto que 85,18% dos animais eram vacinados anualmente e 70,27% vermifugados em intervalos adequados. Alguns locais funcionavam como centros equestres e a equoterapia foi uma atividade paralela. Sendo assim, é importante haver um controle de entrada dos animais através dos exames de notificação obrigatória. Boa parte dos centros de equoterapia apresentava o controle com exames e também exigiam vacinas (40,74%). Ocorria acompanhamento da saúde bucal dos animais (74,07%), o que favorecia a digestão dos alimentos e fez com que os casos de cólica fossem esporádicos (59,26%). Os cascos também eram limpos e o casqueamento ocorria em intervalos adequados. Em relação ao comportamento, os animais possuíam pelo menos 2 horas de contato físico entre si (74,07%), o que favorecia com que os animais não manifestassem em sua maioria estereotipias e agressividade. Como base nos resultados obtidos, evidenciou-se que a formação de uma equipe com conhecimento acerca do cavalo, bem como a assiduidade do veterinário contribuiu para um bom manejo sanitário nos centros avaliados.

Biografia do Autor

Luis Carlos Oña Magalhães, Universidade Federal do Mato Grosso

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1996), especialização em letras pela University of Cambridge (2000) Certificado COTE (Certificate for Overseas teachers of English) (Atual ICELT), especialização em tradutor-interprete de língua inglesa pela Pontifícia Universidade Católica (2000) e graduação técnica em Hotelaria pelo SENAC São Paulo (2006). Obteve título de Mestre em Medicina Veterinária (Reprodução Animal) em 2010 e Doutorado em Medicina Veterinária em 2013. Exerce a função de examinador da University of Cambridge para os exames orais de inglês como língua estrangeira desde 1999. Tem experiência em metodologia de ensino participando do projeto COGESP (PUC -Cultura Inglesa SP). Aprovado em 4o Lugar em concurso público para Tecnologia na Produção de Rações Animais, Universidade Federal de Goiás (2013). Foi coordenador pedagógico do Instituto da Lingua Inglesa (Cuiabá - MT) em 2014. Atualmente leciona no Colégio Ibero Americano para o Ensino Fundamental e exerce a função de professor no curso de Extensão de do Instituto de Linguagens da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Campus de Cuiabá. Aprovado em 1o Lugar no concurso publico para professor substituto de Microbiologia e Parasitologia em 2016 (UFMT-Cuiabá)

Referências

All AC, Loving GL, Crane LL Animals, horseback riding, and implications for rehabilitation therapy. J Rehabil. 1999 65(3): 49–57.

Dittrich JR, Melo HÁ, Afonso AMCF, Dittrich RL Comportamento ingestivo de equinos e a relação com o aproveitamento das forragens e bem-estar dos animais. R Bras Zootec. 2010 39:30-137.

Millman ST, Duncan IJJ, Stauffacher M, Stookey JM The impact of applied ethologists and the International Society for Applied Ethology in improving animal welfare. Appl Anim Behav Sci, 2004 86 :299-311.

Broom DM Welfare: stress and the evolution of feelings Adv Study Behav, 1998 27:371-403.

Duncan, IJH Animal Welfare defined in terms of feelings. Acta Agric Scand Sect A, Animal Sci Suppl, 1996 27: 29–35.

Dawkins, M.S. Animal welfare and the paradox of animal consciousness. Adv Study Behav, 201547:1-34.

Bromm, DM, Molento, CFM Bem-estar animal: conceito e questões relacionadas – Revisão. Arch. Vet. Sci. 20049:1-11.

Bird J. Cuidado Natural del Caballo. Acanto, 2004, 206p.

Cintra AGC. O CAVALO: Características, Manejo e Alimentação. 1ªed. São Paulo:Roca; 2010.

Murray MJ, Grodinsky C, Anderson CW, Radue PF, Schmidt GR Gastric ulcers in horses: a comparison of endoscopic findings in horses with and without clinical signs. Equine Vet J Suppl. 1989 7:68-72.

Leme DP, Parsekian ABH, Kanaan V, Hötzel MJ Management, health, and abnormal behaviors of horses: A survey in small equestrian centers in Brazil, J Vet Behav, 2014 9(3):114-118.

Brady HA, Nichols WT Drug Resistance in Equine Parasites: An Emerging Global Problem, J Equine Vet Sci. 2009 29:285-295.

Love S. Treatment and prevention of intestinal parasite-associated disease. Vet. Clin. N. Am. – Equine. 2003 19:791-806.

MAPA. Manual de preenchimento para emissão de guia de trânsito animal de equídeos versão 19.0, 2017.

Dixon PM, Dacre, I A review of equine dental disorders. Vet J. 2005 169:165-187.

Frape D Sistema digestório. In: FRAPE, D. Nutrição e alimentação de equinos. 3ª. ed. São Paulo: Roca, 2007.

Hall C, Huws N, White C, Taylor E, Owen H, Mcgreevy P Assessment of ridden horse behavior, J Vet Behav. 2013 8(2):62-73.

MAPA. Manual de boas práticas de manejo em equideocultura. 2016

AWIN, 2015. AWIN welfare assessment protocol for horses.

Harris, S Grooming to Win: How to Groom, Trim, Braid, and Prepare Your Horse for Show. 3a. ed. New Jersey:Wiley Publishing; 2008.

Foor D Balancing and Shoeing the Equine Foot. In: Floyd AE, Mansmann RA Equine Podiatry, St. Louis:W.B. Saunders; 2007, p.379-392.

Visser EK, Ellis AD, Van Reenen CG The effect of two different housing conditions on the welfare of young horses stabled for the first time. Appl Anim Behav Sci. 114 2008: 521-533.

Nicol CJ (1999) Stereotypies and their relationship to management. In: Proceedings of the BEVA Specialist Days on Behaviour and Nutrition, Eds: P.A.Harris, G.Gomarsall, H.P.B.Davidson and R.Green, Equine Vet J Journal, Newmarket , UK . pp 11–14.

Henderson JV, Waran NK Reducing equine stereotypies using an Equiball TM. J V Animal Welfare. 2001 10:73-80.

Cintra AGC Alimentação Equina. 1ª ed., São Paulo:Roca, 2016.

Fureix C, Bourjade M, Henry S, Sankey C, Hausberger M. Exploring aggression regulation in managed groups of horses. Appl Anim Behav Sci. 2012 138:216-228.

Publicado
18-12-2019
Como Citar
Melo e Oña, C. M., Magalhães, L. C. O., de Jesus, L. P., Caobianco, J., Rodrigues, J. L., & Neto, A. R. T. (2019). Saúde e alterações comportamentais de animais de equoterapia. Veterinária E Zootecnia, 26, 1-9. https://doi.org/10.35172/rvz.2019.v26.216
Seção
Artigos Originais