Perfil de sensibilidade de bactérias isoladas de animais domésticos na região de botucatu frente ao cloranfenicol e florfenicol

  • Antonio Carlos Paes
  • Simone Henriques Mangia
  • Ana Paula Flamínio
  • Gustavo Henrique Batista Lara
  • Fernando José Paganini Listoni
Palavras-chave: cloranfenicol, florfenicol, sensibilidade bacteriana, resistência bacteriana

Resumo

O advento dos antimicrobianos permitiu o controle e cura das doenças infecciosas, mudando a
evolução natural das mesmas de forma marcante. Os resultados de programas locais de vigilância de
resistência a antimicrobianos são de extrema importância, pois auxiliam a escolha da terapêutica
empírica, especialmente em infecções no qual o diagnóstico etiológico é difícil. No caso específico da
terapêutica antimicrobiana em animais de companhia, sabe-se da importância do cloranfenicol, pelo
seu amplo espectro de ação e pela elevada lipossolubilidade que propicia ampla difusão pelas barreiras
biológicas. Antimicrobiano sintético, derivado do propanodiol, o cloranfenicol possui em sua fórmula
estrutural um grupo nitro que produz anemia aplásica irreversível em primatas. A primeira medida foi
a remoção deste radical e sua substituição por um grupo metil sulfonil, resultando no tianfenicol. No
entanto, este composto apresentou concentrações inibitórias mínimas maiores, em relação ao
cloranfenicol, devido ao acúmulo celular lento e por essa razão, as bactérias adquiriram mais
resistência ao tianfenicol. Dessa forma, alteraram-se substancialmente as características da molécula,
substituindo o grupo hidróxido por um átomo de flúor, dando lugar a uma combinação precisa de
amplo espectro, segurança e ausência de inconvenientes de resistência bacteriana, chamado de
florfenicol. Porém o uso maciço e inadequado de antimicrobianos tem implicações no aumento das
taxas de resistência microbiana, existindo uma relação direta entre o quantitativo de antimicrobianos
usados e a incidência de resistência bacteriana. Este trabalho teve por objetivo verificar a sensibilidade
dos principais agentes infecciosos nos animais, frente ao cloranfenicol e ao florfenicol e comparar o
desempenho de ambos frente as mais diversas bactérias patogênicas. O estudo retrospectivo foi
realizado através de 562 antibiogramas do Laboratório de Diagnóstico Microbiológico, da Faculdade
de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade Estadual Paulista – Campus Botucatu, no
período de janeiro de 2000 a junho de 2006.

Referências

BELLINGI, G.C. Avaliação da eficácia do florfenicol na síndrome diarréica dos bezerros em
propriedades argentinas. Hora Vet., v.16, p.40-41, 1997.
CARVALHO, F.L.Q. Lincosamidas, tetraciclinas e cloranfenicol. In: SILVA, P. 6.ed.
Farmacologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p.1050-1057.
ESPINASSE, J. Nuflor: terapia antibiótica & doenças respiratórias dos bovinos. Rio de Janeiro:
Indústria e Farmacêutica Shering-Plough S/A, 1995. 99p.
FIOL, F.S.; AVALLONE, A.M. Uso de cloranfenicol na gestação. Rev. Eletron. Farm., v.2, p.31-
37, 2005.
GREENE, C.E.; WATSON, A.D.J. Antibacterial chemotherapy. In: GREENE, C.E.; WATSON,
A.D.J. Infectious disease of the dog and cat. 2.ed. Philadelphia: W. B. Saunders Company, 2006.
p.274-301.
MARTINEZ, R.; GIRONI, R.H.A.R.; SANTOS, V.R. Sensibilidade bacteriana a antimicrobianos,
usados na prática médica – Ribeirão Preto – SP – 1994. Medicina, Ribeirão Preto, v.29, p.278-284,
1996.
MOTTA, R.A.; DA SILVA, K.P.C.; RIBEIRO, T.C.F.; RAMOS, G.A.B.; DE LIMA, E.T.; DA
SILVA, L.B.G.; ZÜNIGA, C.E.A. Eficácia do nuflor no tratamento diarréias em bezerros e leitões.
Hora Vet., Edição especial, p.3-6, 2000.
PAGE, S.W. Chloranphenicol 3. Clinical pharmacology of systemic use in the horse. Aust. Vet. J.,
v.68, p.5-7, 1991.
QUINN, P.J.; MARKEY, B.K.; CARTER, M.E.; DONNELLY, W.J.C.; LEONARD, F.C.;
MAGUIRE, D. Microbiologia veterinária e doenças infecciosas. Porto Alegre: Artmed, 2005.
512p.
RIVIERE, J.E.; PAPICH, M.G. Cloranfenicol e derivados, macrolídeos, lincosamidas e
antimicrobianos diversos. In: ADAMS, H.R. Farmacologia e terapêutica em veterinária. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. p.726-749.
ROCHA, H. Normas para seleção de antibióticos para uso clínico. In: SILVA, P. 6.ed.
Farmacologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p.992-1000.
SAMS, R.A. Florfenicol: propriedades químicas e metabolismo de um novo antibiótico de largo
espectro. Hora Vet., v.16, p.19-22, 1997.
SCHAEFFER, A.J. Urinary tract infections: antimicrobial resistance. Curr. Opin. Urol., v.10, p.23-
24, 2000.
TAVARES, W. Cloranfenicol e tianfenicol. In: TAVARES, W. Manual de antibióticos e
quimioterápicos antiinfecciosos. 3ed. São Paulo: Atheneu, 2001. p.721-733.
TURNIDGE, J.D.; JORGENSEN, J.H. Antimicrobial susceptibility testing: general considerations.
In: MURRAY, P.R.; BARON, E.J.; PFALLER, M.A.; TENOVER, F.C.; YOLKEN, R.H. Manual of
clinical microbiology. 7.ed. Washington: ASM Press, 1999. p.1469-1473.
VARMA, J.K. Microbiologia, disponibilidade farmacocinética e segurança do florfenicol em bovinos.
Hora Vet., v.16, p.24-28, 1997.
WATSON, A.D.J. Chloranphenicol 2. Clinical pharmacology in dogs and cats. Aust. Vet. J., v.68,
p.2-5, 1991.
WHITE, D. G. et al. Characterization of chloranphenicol and florfenicol resistance in Escherichia coli
associated with bovine diarrhea. J. Clin. Microbiol., v.38, p.4593-4598, 2000.
Publicado
31-03-2009
Como Citar
Paes, A. C., Mangia, S. H., Flamínio, A. P., Batista Lara, G. H., & Paganini Listoni, F. J. (2009). Perfil de sensibilidade de bactérias isoladas de animais domésticos na região de botucatu frente ao cloranfenicol e florfenicol. Veterinária E Zootecnia, 16(1), 161-172. https://doi.org/10.35172/rvz.2009.v16.388
Seção
Artigos Originais

Most read articles by the same author(s)